• Francisco Toledo

Retomada de bares e restaurantes causa divisão no setor em São Paulo

A decisão do governo de São Paulo, que autoriza a reabertura de estabelecimentos como bares e restaurantes depois de quase quatro meses de quarentena por causa da pandemia de Covid-19, não é unanimidade no próprio setor.


No primeiro dia de retomada nesta segunda-feira (6) era possível ver grande parte dos estabelecimentos de portas fechadas no centro da capital. Os poucos que decidiram abrir tomaram todas as providências estabelecidas pelo poder público: horário fixo (das 11h às 17h), lotação de até 40% da capacidade, proibição de mesas nas calçadas e exigência de uso de termômetros e máscaras, além do distanciamento entre os clientes.


Para Chagas, proprietário de um bar localizado no bairro central da Vila Buarque, as exigências são impossíveis de colocar em prática em seu estabelecimento: "Depois de algumas cervejas, é impossível monitorar se o cliente entra no bar para usar o banheiro sem máscara, sendo que ao mesmo tempo preciso verificar se as demais pessoas estão respeitando o distanciamento". Segundo o empresário, a medida de reabertura da forma como foi feita é válida para estabelecimentos maiores, com mais de 10 funcionários e segurança privada, diferente da maioria dos bares do centro da cidade.

Foto: Gustavo Oliveira / Democratize

Por sua vez, a proprietária do Simona Delicatessen, localizado na região de Pinheiros, acredita que a reabertura foi feita de forma apressada. "Achamos que ainda não é o momento ideal. A pandemia deveria estar mais controlada e com números que indicassem um maior avanço com relação ao controle no número de óbitos e contágio", diz Maira Custódio. Todas as medidas de contenção foram tomadas no Simona, apesar de não haver um contato direto com os órgãos públicos para orientação dos cuidados.


Apesar de ainda achar cedo para a retomada, Maira também discorda da determinação dos horários fixos estabelecidos pela prefeitura e estado por não ser "muito eficaz, pois você acaba tendo uma concentração maior de clientes e pessoas dentro de um horário restrito".


Essa divisão no setor sobre reabrir ou não é, em partes, um reflexo do que aconteceu no Rio de Janeiro nesta última semana. Após a reabertura na capital fluminense dos bares e restaurantes, vários vídeos e denuncias surgiram sobre aglomerações e bares que não respeitam o limite de distanciamento entre clientes.

Maira recebe clientes na porta do seu estabelecimento - Foto: Gustavo Oliveira / Democratize

O delivery como solução


No final do mês de maio, quando o país ainda não havia alcançado 1 milhão de infectados por coronavírus, conversamos com o proprietário do bar Cama de Gato, localizado na região central da capital. Para Bruno Bocchese, o delivery foi uma das soluções para os últimos três meses de quarentena, com funcionários trabalhando fisicamente no estabelecimento de forma reduzida.


Mesmo após a medida de reabertura gradual proposta pela prefeitura, o Cama de Gato continua com as suas portas fechadas, trabalhando apenas através das entregas. O mesmo ocorre com outros bares e cafés da região da Santa Cecília, como Takko Café, mantendo o seu salão fechado.


Ainda assim, proprietários de bares e restaurantes da região da Vila Madalena se organizam para realizar manifestações na cidade por uma maior flexibilidade na reabertura dos seus estabelecimentos, o que mostra que essa divisão no setor deve se prolongar nos próximos meses.


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