• Francisco Toledo

Policiais arrastam, chutam e agridem manifestantes em São Paulo

Se atrás das câmeras os representantes da Polícia Militar e do governo do estado distribuíram elogios aos protestos pela democracia e contra o racismo em São Paulo, o mesmo não ocorreu quando as câmeras se desligaram.


Para a CNN Brasil, o porta-voz da PM, Emerson Massera, afirmou que as duas manifestações (pró e contra Bolsonaro) ocorreram de forma pacífica e sem incidentes graves. O mesmo foi dito pelo secretário-executivo da PM em São Paulo, coronel Álvaro Camilo.


De fato, o protesto no Largo da Batata, região oeste da capital, não registrou qualquer ato de vandalismo até o momento em que foi impedido de prosseguir até a Av. Paulista, no final da tarde de domingo. Porém, antes mesmo de seu início no começo da tarde, policiais militares efetuaram diversas prisões na Av. Paulista, palco do protesto bolsonarista. Mas não foram manifestantes pedindo a intervenção militar que foram levados, e sim grupos de “pessoas suspeitas” que ocupavam a Praça do Ciclista. Veja os clicks do nosso fotógrafo Wesley Passos.



O motivo, segundo a Polícia Militar, foi a decisão judicial que proibia a realização de dois atos distintos no mesmo espaço. O Partido da Causa Operária (PCO) organizou um pequeno protesto na Praça do Ciclista, causando tensão com policiais – ao final não houve repressão, apesar do grande aparato militar que acompanhou o grupo.


Um dos detidos carregava um folheto político de 2018 e uma chave de fenda. Segundo um dos manifestantes, a prisão ocorreu pelo simples fato de estar na Praça do Ciclista. Veja o vídeo do momento de sua detenção registrado pela nossa equipe.



Foram efetuadas 29 prisões neste domingo, sendo todos os manifestantes encaminhados para o 78DP.


Prisões arbitrárias e violentas após encerramento do ato


Nossa equipe também flagrou o momento em que alguns manifestantes corriam das bombas disparadas pela Polícia Militar na Rua Teodoro Sampaio. Isso ocorreu após a polícia dispersar a manifestação que saiu do Largo da Batata, nas proximidades da Rua dos Pinheiros.


Policiais correram atrás de um grupo de pessoas na Teodoro. É possível ver, no vídeo abaixo, o momento em que dois policiais espancam um dos manifestantes que cai no chão. Chutes e golpes de cassetete foram dados de forma gratuita contra o homem que não apresentava qualquer sinal de resistência. Ao final, ele conseguiu escapar dos policiais, cambaleando no asfalto por conta das agressões.


Um grupo no outro lado da rua não teve a mesma sorte. Também é possível ver chutes e agressões por parte dos policiais contra os manifestantes rendidos. Nossa equipe registrou o momento em que uma colega deles questionava a ação policial e foi arrastada de forma violenta por um dos PMs.



A agressividade dos policiais causou repercussão nas redes sociais. Questionado pelo Portal G1, o porta-voz e coronel Emerson Massera disse que os fatos estão sendo apurados.


A ação desproporcional ocorre após questionamentos na imprensa da conduta policial no ato das torcidas organizadas em outro domingo, dia 31 de maio. Enquanto manifestantes pró-Bolsonaro portavam arma branca e bandeiras de cunho neonazista, a ação da PM focou no grupo de manifestantes pela democracia. Não foi feita nenhuma detenção no ato bolsonarista.


Para muitos, o governador João Doria (PSDB) perdeu o controle da Polícia Militar, cada vez mais enraizada na ideologia bolsonarista, assim como ocorre em diversas polícias em outros estados, como presenciou o Ceará no começo deste ano. Resta saber qual será o limite de alcance da doutrinação bolsonarista dentro dos quartéis espalhados pelo estado, em um momento em que o governador tucano se apresenta como uma das principais figuras políticas de oposição ao presidente Jair Bolsonaro.


Veja mais fotos registradas pelo nosso fotógrafo Gustavo Oliveira.



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