• Francisco Toledo

Polarização política afeta movimento dos entregadores em São Paulo

Em menor número e com uma divisão interna mais exposta, o movimento dos entregadores de aplicativo ainda não perdeu a sua relevância no cenário político e social, principalmente em São Paulo. Neste sábado, centenas de motoboys se reuniram em frente ao Estádio do Pacaembu durante mais uma paralisação da categoria contra os aplicativos de entrega.


Mais cedo, a paralisação seguia espalhada na frente de shoppings e de pontos estratégicos da cidade, como a Avenida Paulista e o Shopping Morumbi.


Diferente da primeira greve, desta vez a organização se demonstrava mais autônoma, sem carro de som e com poucos discursos ao microfone. Isso facilitou uma divisão de protagonismo no tom ideológico de cada grevista. Exemplo disso foi um dos participantes da paralisação que, logo ao chegar em frente ao Pacaembu, listou as demandas da categoria e finalizou o seu discurso com o lema "Deus, pátria e família", conhecido por ser utilizado em discursos alinhados ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).


Essa falta de alinhamento acabou gerando momentos de confusão entre os entregadores. Um deles, membro do grupo Entregadores Antifascistas, questionou o discurso bolsonarista do colega, sendo quase expulso do ato. Gritos de "sem partido" e "sem sindicato" foram entoados, enquanto uma parte dos participantes do ato tentava acalmar os ânimos, destacando o foco da paralisação - as demandas dos trabalhadores da categoria contra os aplicativos de entrega.

Galo, fundador do Entregadores Antifascistas - Foto: Wesley Passos / Democratize

Polarização arriscada


Os momentos de divisão ideológica no ato lembraram os protestos de junho de 2013, quando grupos de esquerda foram expulsos dos atos promovidos pelo Passe Livre aos gritos de "sem partido". Logo depois, os protestos foram tomados por movimentos espontâneos e sem direção de discurso, abrindo caminho para grupos de extrema-direita nacionalistas.


Conforme falamos anteriormente com o entregador Galo, um dos criadores do Entregadores Antifascistas, a divisão ideológica entre os entregadores não é novidade. Porém, o foco da greve deve manter-se nas demandas aos aplicativos. "O que eu sinto na pele é o mesmo que os outros companheiros também sentem", disse durante o ato em entrevista para veículos de imprensa.


Terceira paralisação


Essa foi a terceira paralisação promovida pelos entregadores desde junho deste ano. Apesar de menor adesão, o grupo conseguiu destaque nas redes sociais através da hashtag #BrequeDosApps - chegando aos Trending Topics do Twitter neste sábado.


Veja mais fotos do ato, por Wesley Passos.


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