• Gustavo Oliveira

Os desafios de mulheres, mães e professoras durante a pandemia do novo coronavírus

Por Wanessa Brasil


Nos dias atípicos que o mundo se encontra, os serviços diários ficaram exaustivos, principalmente para as mulheres que acabam trabalhando mais do que os homens, lidando com a rotina da casa, trabalho e maternidade. A pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) fez essa realidade ficar ainda mais visível.

Segundo o estudo realizado pela ONU Mulheres “Mulheres no centro da luta contra a crise Covid-19”, as mulheres realizavam três vezes mais trabalhos não remunerados antes da pandemia e agora, com o isolamento social, a estimativa é que esse número triplique. A pesquisa também identificou que elas fazem parte de 70% dos profissionais da saúde, ou seja, são a maioria na linha de frente ao combate a Covid-19.


“O trabalho doméstico aumentou muito, porque com todo mundo em casa tem mais gasto e sujeira. No início, eu fiquei com medo e assustada, pensei muito nos meus filhos. Eu tenho cuidado, mas a gente não sabe se as outras pessoas estão se cuidando como a gente, é preocupante”, relata Cleres Gomes, 36 anos, auxiliar de limpeza.


Os afazeres da casa, comida, atividades escolares e cuidados com o filho exigem atenção, tudo isso junto ao home office e aos desafios diários de enfrentar uma pandemia. Muitas mulheres não puderam ficar em casa, precisam sair todos os dias e chegar em seu lar para realizar todo o trabalho, ou, pelo menos, tentar.

Foto: Francisco Toledo / Democratize

Também existem as famílias que moram com idosos - que estão no grupo de risco - o que requer ainda mais atenção e apreensão. “A sobrecarga de tarefas e essa tentativa de dar conta de tudo podem gerar alguns sentimentos: frustração, fracasso, desorganização, desesperança, tristeza, confusão, ansiedade, incapacidade e culpa. Existe toda uma demanda emocional por trás da não execução de algumas tarefas”, explica Pamela Albuquerque, 27 anos, psicóloga pós-graduada em Psicoterapia Breve.


A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizou uma pesquisa online com mais de 40 mil pessoas entre os dias 24 de abril e 8 de maio de 2020. Os resultados trouxeram mudanças na rotina e trabalho da população, além de aspectos econômicos e emocionais nesse período de pandemia. O estudo é mais um que comprova que as mulheres são as mais afetadas, 50% delas informaram que se sentem tristes ou frequentemente deprimidas, e apenas 30% dos homens responderam ter esses sentimentos. A ansiedade foi relatada em 60% das respostas femininas e apenas 43% dos homens se sentem ansiosos.


Além de todos os cuidados, as crianças e adolescentes precisam de ajuda e atenção, uns até para se alimentar, outros necessitam dos pais para auxiliá-los nas lições e atividades escolares. “A adaptação das crianças foi muito difícil, eles ficavam perguntando por que estavam em casa sem poder ir a escola, por que não podiam sair. É uma rotina nova e a gente tem que saber entretê-los”, relata Cleres, mãe de dois filhos, Alice de 3 anos e Thales de 5 anos, ambos frequentam a Creche Ariano Suassuna da Prefeitura de São Bernardo do Campo.


Segundo o relatório de desenvolvimento humano divulgado em 2019 pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo, e isso fica mais evidente em meio a uma pandemia. Muitas famílias não têm o que comer, os pais não conseguem auxiliar os seus filhos nas atividades escolares e o espaço dentro de casa é extremamente pequeno. A falta de acesso à internet também é um grande problema que tem deixado tudo difícil para os mais pobres.


“Neste momento as crianças acabam ficando agitadas, inquietas e solicitando ainda mais do que antes em relação a cuidados e atenção. Elas também não estão sabendo lidar com tudo isso e por esse motivo é importante reelaborar a rotina para toda a família”, explica a psicóloga Pamela.


Wanessa Brasil é formada em jornalismo pela Universidade São Judas, tem 26 anos e trabalha como maquiadora, além de ser mãe do Davi de 2 anos.

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