• Francisco Toledo

O Dia D bolsonarista reúne cosplay, pedidos de golpe e bandeiras estrangeiras na Paulista

Se o objetivo dos grupos bolsonaristas era mostrar sua força nas ruas, ele não foi cumprido. Mesmo com as dezenas de ônibus que partiram das principais capitais para Brasília, foi necessário utilizar uma imagem antiga para divulgar as manifestações nas redes sociais - é o caso do ex-deputado Roberto Jefferson que, no Twitter, publicou uma imagem de um protesto de extrema-direita em Brasília com o boneco inflável do "Super Moro" no fundo. Acabou virando motivo de chacota nas redes, deletando o post.


Em São Paulo, a expectativa também era enorme. Afinal, os principais movimentos de esquerda que haviam ocupado a cidade nos últimos três domingos não anunciaram nenhuma manifestação. Era para ser um dia apenas para bolsonaristas. E não foi.


Logo ao chegar na Av. Paulista, extremamente movimentada devido ao calor de domingo, era possível ver centenas de manifestantes nas proximidades do prédio da Fiesp. O número, bem menor do que o esperado, era compensado pelo barulho do carro de som e das vuvuzelas, além dos buzinaços de alguns carros que passavam pelo corredor de manifestantes.


Em cima do carro de som, uma personalidade chamou atenção: uma cosplay da personagem Vampira, com um uniforme em verde e amarelo. Ela segurava um cartaz enaltecendo o fato de ser cosplay e de direita. Ao lado dela, uma bandeira da Ucrânia com o brasão de armas do país. O símbolo foi apropriado pelo Setor Direito, organização neonazista que utiliza o brasão mas modifica as cores da bandeira para vermelho e preto.


Inclusive, bandeiras de outros países é o que não faltou no ato liderado por grupos ditos nacionalistas: Israel, Estados Unidos, e até mesmo uma versão modificada da bandeira espanhola.

Não faltaram mensagens anticonstitucionais: pedidos de intervenção militar mantendo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no poder, além do fechamento do Supremo Tribunal Federal. Um bonehead, nome dado para skinheads neonazistas, carregava uma bandeira do estado de São Paulo.


De forma simultânea, outra manifestação ocorria na Praça Roosevelt, poucos quilômetros da Av. Paulista.


Militantes do PCO (Partido da Causa Operária) organizaram um ato contra Jair Bolsonaro no centro da cidade, na tentativa de tirar um pouco do protagonismo bolsonarista do dia. Em menor número, nem precisavam: afinal, o protesto da extrema-direita não vingou conforme eles desejavam.

Militante do PCO segura uma bandeira na Roosevelt - Foto: Wesley Passos / Democratize

A baixa adesão em ambos os protestos, mesmo a esquerda não tendo se organizado coletivamente, pode mostrar o cansaço das ruas. Se por um lado o grupo bolsonarista mostra-se cada vez mais frágil e separado, a esquerda parece não ter unificado o seu discurso e demanda, além de viver o questionamento sobre respeitar o isolamento social ou não.


Resta ao brasileiro aguardar mais uma semana movimentada em Brasília, e esperar as consequências disso nos próximos dias.

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