• Gustavo Oliveira

O apartheid é logo aqui: um muro entre Paraisópolis e Morumbi

A Associação dos Moradores do Jardim Vitória Régia, localizada no bairro de alto padrão do Morumbi, zona sul de São Paulo, fez um pedido no mínimo estranho para a prefeitura da capital.


No fim do ano passado, o Jornal Le Monde Diplomatique Brasil exibiu um minidocumentário chamado "Entremundo – Um dia no bairro mais de desigual do mundo", o qual foi retirado do ar. O documentário exibia uma reunião da Associação dos Moradores do Jardim Vitória Régia juntamente com policiais representantes do 16º Batalhão de Policia Militar, que patrulha áreas tanto do Paraisópolis quanto do Jardim Vitória Régia.


Parque Paraisópolis


A previsão é de que o Parque Paraisópolis fique pronto em outubro deste ano. A área total do futuro Parque é de 68 mil metros quadrados e pode trazer com ele um pouco mais de lazer, pratica de esportes ao livre e um refúgio para as crianças da comunidade.


Os moradores que vivem em suas casas de alto padrão enviaram uma carta para Secretaria do Verde e Meio Ambiente exigindo que o parque seja inteiro cercado por um muro e que o mesmo tenha apenas um único acesso pela rua Silveira Sampaio, que fica do lado da comunidade. A Associação dos Moradores do Jardim Vitória Régia ainda pede que seja proibido a realização de piquenique e a circulação de animais dentro do Parque Paraisópolis. A construção desse parque estava prevista para o ano de 2008, porém as obras só deram início em 2019.


União dos Moradores do Paraisópolis


Gilson Rodrigues, presidente da União dos Moradores do Paraisópolis, falou conosco sobre quais as medidas que a União do Paraisópolis está tomando com relação ao muro dividindo o parque – “O projeto do muro já foi negado pela prefeitura, nós acreditamos que seja um equívoco da Associação de Moradores do Jardim Vitória Régia; nós acreditamos que nesse momento de pandemia seja um momento de união e não de separação; Viraria um muro da vergonha um apartheid, mai a prefeitura já negou".


Gilson segue – “Mas os muros invisíveis que separam o Paraisópolis do Morumbi existem e vão continuar existindo por um bom tempo. Não existe um Morumbi bom, que é o que eles estão buscando, um Morumbi menos violento ou um Morumbi menos barulhento sem investimentos. Enquanto o Paraisópolis não melhorar sua situação, vai ser muito difícil, porque nós estamos dentro de um território só, Paraisópolis também é Morumbi; nós precisamos criar condições para que as pessoas de Paraisópolis possam ter qualidade de vida”.


Gilson continua – “Não é justo que de um lado da rua nós temos índices comparados à bairro europeus e do outro lado as pessoas estejam passando fome e morando em cima do córrego. Então precisamos criar justiça social; e o bairro do Morumbi tem uma responsabilidade com isso por que é a grande casa grande e a favela do Paraisópolis é a grande senzala; são milhares de trabalhadores diariamente trabalhando nessas casas de alto padrão em busca de melhorar também a sua situação de vida”.


Nossa reportagem tentou contato por telefone com a Associação dos Moradores do Jardim Vitória Régia e não obteve retorno após deixar recado.

87 visualizações

Receba nossas atualizações

  • Ícone do Facebook Branco
  • Ícone do Twitter Branco

© 2020 Todos os direitos Reservados