• Gustavo Oliveira

Despejos violentos viram rotina contra camponeses do MST

Não é nenhuma novidade que desde que Jair Bolsonaro (sem partido) assumiu a presidência da República. em janeiro de 2019, os despejos de camponeses do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) viraram corriqueiros no interior dos estados onde seus governadores estão alinhados ao discurso bolsonarista, seguindo a cartilha de perseguição contra membros de movimentos sociais.


No início do mês de agosto, a Policia Militar do Estado de Minas Gerais, do governador Romeu Zema (Partido Novo), amparada por uma liminar de despejo que havia sido negada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no ano de 2012 contra o Acampamento Quilombo Campo Grande, expôs os camponeses a barbárie. As cenas lamentáveis de violência cometida pela PMEMG invadiram as redes sociais e ganharam também espaço nos principais telejornais da grande mídia nacional.


As arbitrariedades cometidas pelos agentes do Estado vão desde incendiar as lavouras de café, pitaia, milho e outros produtos agroecológicos, até a demolição da Escola Popular Eduardo Galeano, que o MST mantinha dentro do acampamento, além do despejo ocorrer em meio a pandemia do coronavírus.


A ação do estado governado por Romeu Zema contra 450 famílias sem-terra foi tão desastrada que cerca de 100 movimentos sociais denunciaram a reintegração de posse do acampamento na ONU (Organização das Nações Unidas), pedindo que Zema fosse oficiado para que houvesse uma suspensão imediata do despejo na época o que não aconteceu.


A Usina Aridnópolis, localizada em Campo do Meio/MG, da antiga Companhia Agropecuária Irmãos Azevedo (CAPIA) encerrou suas atividades em 1996 deixando uma dívida trabalhista na ordem de 300 milhões de reais e terras que não cumpriam função social.


No passado, o modus-operantes foi o mesmo

Foto: Gustavo Oliveira / Democratize

Em 26 de novembro de 2019, o acampamento Abril Vermelho foi alvo de agentes federais, no município baiano de Juazeiro. Cerca de 800 pessoas, sendo 200 famílias, foram despejadas após doze anos de ocupação pelo MST.


As terras pertenciam a estatal Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (CODEVASF) e estavam sem uso social, portanto haviam sido ocupadas em 2007 após um acordo entre a própria empresa, governo federal e estadual, Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Ouvidoria Agrária e Ministério Público Federal. Porém, em 2012, a CODEVASF se arrependeu do acordo e entrou com o pedido de reintegração posse da área que viera acontecer em 26 de novembro de 2019.


Após a chegada das viaturas federais, os camponeses se juntaram próximo à entrada do acampamento e entoaram cânticos tradicionais, sendo atacados pelos agentes com bombas de efeito moral, tiros de borracha e golpes de cassetete; dois sem-terra ficaram feridos e precisaram de atendimentos médicos.


Os agentes ainda destruíram as lavouras de batata, feijão, goiaba, manga e macaxeira; assim como usaram retroescavadeiras para destruir as casas de alvenaria e barracos dos camponeses.


Segundo uma nota divulgada pela Policia Federal na época do despejo, era de que a operação deflagrada havia sido sucesso e sem registros de violências.

Foto: Gustavo Oliveira / Democratize

Apesar das arbitrariedades da justiça brasileira contra os camponeses, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra seguem organizados e produzindo o alimento que chega em nossa mesa. Durante a pandemia do coronavírus, o MST é responsável direto pela doação de mais 600 toneladas de alimentos produzidos em seus acampamentos e assentamentos Brasil à fora; dando uma aula aos governantes independentemente das siglas políticas que representem.


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