• Francisco Toledo

Coletivo lança podcast para dar visibilidade à pautas raciais

O coletivo Influência Negra lançou neste último mês de junho o seu primeiro podcast com o intuito de dar maior visibilidade à pautas raciais. Apresentado pelos jornalistas Nathalia Braga e Cleyton Santanna, a dupla lançou a primeira temporada com 12 episódios e convidados como os influenciadores Ana Paula Xongani e Ernesto Xavier.


Diante do movimento global Black Lives Matter, o coletivo tenta trazer para a realidade brasileira o debate sobre racismo dentro e fora da internet, além de temas como sexualidade, cultura pop, entre outros.

Manifestantes contra o racismo em São Paulo - Foto: Gustavo Oliveira / Democratize

O Democratize conversou com a Nathalia sobre o lançamento da plataforma:


É crescente a participação de comunicadores negros na internet, porém ainda são uma pequena minoria que tem visibilidade. Para que caras novas como vocês tenham mais espaço, o que é necessário mudar?


Nath: O viés racial quando as pessoas fazem pesquisas na internet. Sabe porquê? Eu, por exemplo, sou uma ‘velha cara nova’ na internet, já que produzo conteúdo no Youtube desde 2014. Outros colegas também começaram na mesma época, e nós estamos sempre evoluindo. Hoje eu não tenho mais dúvidas de que é possível encontrar pessoas negras produzindo conteúdo de qualidade sobre qualquer assunto aqui no Brasil. Só falta o reconhecimento da nossa credibilidade. O público fica com a impressão de que existem poucas pessoas negras relevantes na internet porque é essa minoria que conquistou oportunidades de trabalho. Foi pra combater esse mito da escassez que o coletivo Influência Negra foi criado: nós damos visibilidade às pessoas negras e cobramos atitudes das marcas e empresas do ramo digital.



Quais as principais dificuldades de produzir um podcast?

Nath: A internet brasileira! É sempre um risco na hora da gravação ter um convidado(a) com uma conexão ruim, e isso interfere na qualidade do áudio final. De todas as possibilidades de formato pra conteúdo que existem hoje, eu acredito que podcasts são as mais acessíveis às pessoas negras e pobres. Muita gente só tem internet porque compra um pacote de dados pré pago, além de usarem celulares com pouca memória. Mas o podcast cabe nessa realidade, então, no fim das contas, eu sou muito otimista.


Quem é referência para vocês quando o assunto é podcast?

Nath: Gosto do jeito que as apresentadoras do ‘Jesus and Jollof’ (Luvvie Ajayi e Yvonne Oriji) expõem seus processos individuais; da seleção de temas e a abordagem que acontece no ‘Afetos’ (Gabi Oliveira e Karina Vieira) e da mediação de debates do ‘Mamilos’ (Juliana Wallauer e Cris Bartis)


E o que podemos esperar para essa temporada?

Nath: Vocês vão conhecer a diversidade dos membros através de temas super atuais e às vezes até debochados. Essa combinação nos ajudou a abordar temas sensíveis da nossa realidade, como a síndrome do impostor e a saúde da população negra, e ao mesmo tempo usar a cultura pop como fonte de descontração. Nós também trouxemos convidados, como o professor Caio Cesar e o ator e jornalista Ernesto Xavier, para pautar a hiperssexualização do homem negro.


Saiba mais sobre o coletivo clicando aqui.

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