• Francisco Toledo

Ato bolsonarista na Paulista foi enfraquecido por protestos democráticos

Com faixas pedindo intervenção militar nas mãos, bolsonaristas ocuparam uma pequena parte da Av. Paulista neste domingo. Cerca de 50 pessoas participaram do ato, em um dia onde as ruas foram tomadas por opositores ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em várias capitais do país.


O foco foi novamente São Paulo, com milhares de pessoas se manifestando pela democracia e contra o racismo no Largo da Batata, região oeste da capital. Com a adesão da Frente Povo Sem Medo, encabeçada pelo ex-candidato à presidência Guilherme Boulos (PSOL), o protesto de oposição ganhou os holofotes da imprensa e poder público, expondo uma quebra do protagonismo das ruas durante o período de pandemia de coronavírus.


Inclusive, outro grupo de manifestantes de oposição chegaram a ocupar a própria Av. Paulista, mesmo após decisão judicial proibindo dois atos com diferentes bandeiras no mesmo espaço. Eram militantes do PCO, o Partido da Causa Operária. Eles ocuparam a Praça do Ciclista, no final da Av. Paulista com a Rua da Consolação, causando momentos de atritos e tensão com a Polícia Militar, que chegou a efetuar cinco prisões.


Esse protesto, minoritário, chegou a ter a mesma adesão que o principal ato bolsonarista. Por sua vez, o efetivo policial destacado foi o triplo do que o registrado no ato pró-Bolsonaro, com a Tropa de Choque chegando a se posicionar para dispersar o grupo de extrema-esquerda – o que não chegou a ocorrer.


Militante do PCO discute com policiais na Paulista - Foto: Wesley Passos / Democratize

Bolsonaristas atenderam ao pedido do presidente


Apesar da baixa adesão também ser explicada pelo pedido de Bolsonaro para seus apoiadores não se manifestarem neste domingo, é possível ver nas redes sociais que foram feitas diversas articulações por apoiadores para enfrentar os protestos de oposição.


Como noticiado pelo Democratize, lutadores de artes marciais chegaram a ameaçar atacar manifestantes antifascistas no domingo. A Polícia Civil chegou a abrir uma inquérito para investigar as ameaças.


Os bolsonaristas que se arriscaram a ocupar a Av. Paulista carregavam, em grande parte, faixas e cartazes pedindo o fechamento do Congresso Nacional, além de ataques contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Uma delas pedia, de forma explicita, o ato de intervenção militar mantendo o presidente Bolsonaro no poder. Apesar disso, não houve qualquer interferência da Polícia Militar no grupo.


Foto: Wesley Passos / Democratize

Largo da Batata reuniu 8 mil pessoas


Um pouco distante da Paulista, conforme determinado por decisão judicial, a grande maioria dos manifestantes de oposição ao governo de Bolsonaro se reuniram. O ato abrigou duas causas diferentes no mesmo espaço: a luta antirracista, liderada por movimentos autônomos negros, e o pedido de democracia encabeçado por Guilherme Boulos, torcidas antifascistas e movimentos de moradia.


O destaque dado pela mídia ao ato democrático chegou a contrastar a baixa adesão bolsonarista, algo que se replicou em todas as capitais onde ocorreram as manifestações, como em Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

Foto: Reinaldo Meneguim / Democratize

Apesar da divisão de pautas, o ato ocorreu normalmente e sem atritos no Largo da Batata, assim como na maioria das manifestações ao redor do país.


Em determinado momento, após o encerramento da manifestação, cerca de 3 mil pessoas seguiram para a Rua dos Pinheiros com o intuito de chegar na Av. Paulista. A grande maioria era composta por movimentos negros e autônomos, sem a presença das lideranças políticas da Frente Povo Sem medo.


Nas ruas paralelas era possível ouvir panelaços em defesa da manifestação e contra o presidente Jair Bolsonaro. O bairro de Pinheiros votou em peso no ex-capitão do Exército, com 60,38% dos votos contra 39,62% do então candidato Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores. Isso não se refletiu na adesão aos gritos de "Fora Bolsonaro" em todas as ruas por onde o ato passava.


O ato, no final da tarde, não conseguiu atravessar a barreira policial, impedindo o seu avanço para a Av. Paulista.


Agora, resta saber se as manifestações de oposição seguirão ocorrendo mesmo durante o pico da pandemia de coronavírus no Brasil. Outra dúvida que fica é a divisão de pautas entre seus organizadores: afinal, qual seria o foco principal dos atos?


Veja as fotos registradas pelo nosso fotógrafo Reinaldo Meneguim.



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